a Sobre o tempo que passa: Somos todos polacos!

Sobre o tempo que passa

Espremer, gota a gota, o escravo que mantemos escondido dentro de nós. Porque nós inventámos o Estado de Direito, para deixarmos de ter um dono, como dizia Plínio. Basta que não tenhamos medo, conforme o projecto de Étienne la Boétie: "n'ayez pas peur". Na "servitude volontaire" o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhes dá...

12.4.10

Somos todos polacos!


Morreu o Presidente da Polónia e quase uma centena de altos dirigentes de Varsóvia. Dirigiam-se à Rússia, para as comemorações do massacre de Katyn, quando, em 1940, o estalinismo assassinou cerca de vinte mil membros da elite político-militar da Polónia livre. Lech Kaczynski, até há pouco ridicularizado por certa politiqueirice ocidental, era um resistente ao comunismo da geração do Solidariedade e da ascensão ao papado de João Paulo II. E tinha como valor supremo uma pátria que foi vítima dos totalitarismos nazi e comunista. Hoje, é uma das fronteiras orientais da nossa liberdade europeia. E na Rússia já não residem as garras da vingança, mas os sinais libertacionistas de Soljenitsine, embora, de ambos os lados haja expectativas frustradas e sonhos por cumprir. Mas o caminho da casa comum europeia e da democracia pluralista e justa faz-se caminhando e semeando, de geração em geração, peregrinando aquelas raízes profundas que nos podem dar saudades de futuro.