a Sobre o tempo que passa: Há um silencioso coro de revolta que está prestes a explodir na planura dos súbditos dos que invocam o privilégio do senhorio

Sobre o tempo que passa

Espremer, gota a gota, o escravo que mantemos escondido dentro de nós. Porque nós inventámos o Estado de Direito, para deixarmos de ter um dono, como dizia Plínio. Basta que não tenhamos medo, conforme o projecto de Étienne la Boétie: "n'ayez pas peur". Na "servitude volontaire" o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhes dá...

30.1.08

Há um silencioso coro de revolta que está prestes a explodir na planura dos súbditos dos que invocam o privilégio do senhorio


E lá se foram mais dois ministros. Nada digo sobre os aparentes vencidos pela nora da política, nem conheço suficientemente o sangue na guelra dos renovadores da política de imagem, sobretudo o advogado dos Gatos Fedorentos, especialista em direitos humanos e direito bancário. Sei apenas que todos os estudos de opinião apontavam Correia de Campos como um desastre e que já nem era ponto de fixação da usura do poder, apenas servindo para almofada de fixação dos ódios populistas.


Noto como antigos adversários de Marinho Pinto, na corrida às eleições da Ordem dos Advogados, decidiram apoiá-lo na vaga de declarações sobre a moralização da política. Ainda ontem, António Arnaut o manifestou na televisão. O bom senso talvez aconselhe que digamos o seguinte: se há corrupção na classe política, ela tem que ser exactamente igual à que existe entre os advogados, face aos tradicionais vasos comunicantes existentes entre os dois submundos. Por outras palavras, não vale a pena que ambos sejam afectados pelo complexo de avestruz e, muito menos, pensar que será o Ministério Público a limpar a classe política, ou os órgãos disciplinares da Ordem a fazer o trabalho correspondente. Só se houver vontade política para a necessária revolução de mentalidades.


Tanto advogados como políticos profissionais navegam nos interstícios do poder do negocismo situacionista. E sendo realista, tenho de reconhecer que não somos governados por um bando de corruptos, e nem sequer considero que a classe política está generalizadamente corroída pelo vício. Daí não compreender o nervoso miudinho que a invadiu, depois do estrondo da marinhada. Deviam todos assumir que o tema já não consegue ser abafado pela tradicional mistura da água benta com a música celestial. Há um silencioso coro de revolta que está prestes a explodir na planura dos súbditos dos que invocam o privilégio do senhorio.


Imagem picada aqui